15 de nov de 2008

"eu deixo a porta aberta, eu não moro mais em mim..."

(Título: Metade, Adriana Calcanhotto)
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Percebo que gosto mais de pensar quando não tenho tempo, incrivelmente as idéias borbulham com intensidade quando estou atarefada de coisas para fazer. Não pense que meus poemas surgem quando deito para descansar ou quando estou tomando calmamente meu café da manhã. Ao contrário, é no meio de um relatório sobre inadimplência ou em um telefonema com a contabilidade. A idéia surge, não corro para o papel ou para frente do notebook, fico dias com ela na cabeça, aperfeiçoando, mexendo, até que eu goste ou não. Se gostar publico, se não gostar deleto a idéia. Percebo que a inspiração não depende de amores ou histórias, funciona mais como um tipo de presente: ao invés de nascer uma flor, Deus dá aos poetas um poema, ao invés de um dia de sol, uma canção ao músico, ao invés de uma borboleta, um novo prato para as cozinheiras. É assim, todo mundo tem que ceder de alguma maneira: o trabalho pelo reconhecimento, a educação pela gentileza, a sinceridade pelo amor, a confiança pela amizade. Nem os grandes saltadores deram pulos tão grandes, não temos o dom ou capacidade de chegar em algum lugar sem conhecer o caminho. Por isso agradeço pelos pequenos momentos de inspiração no meio do caos e da loucura, por ter aprendido a chegar até o fim de um poema sem desfalecer. Não sou tão grande quanto eu supunha, às vezes uma palavra me desmorona por dias.

2 comentários:

Tatiana disse...

Nem os grandes saltadores deram pulos tão grandes, não temos o dom ou capacidade de chegar em algum lugar sem conhecer o caminho. Por isso agradeço pelos pequenos momentos de inspiração no meio do caos e da loucura.

Lindaa!
Adorei
Beijos..

Grazia disse...

Nada além de verdadeiras são as suas palavras.
Parabéns por escrever tão bem! :))